A importância do diário mediúnico

https://youtu.be/XkIgF-zhf5E

Assim que abrimos a Terreira do Sete Flechas, na segunda ou terceira sessão pública, nossa médium Carmem que era médium de psicografia Kardecista, ao final da sessão disse-me: “Estou recebendo uma mensagem do Sr. Darcy Dias da Silveira e ele está mandando te perguntar se você está registrando tudo que está ocorrendo em seu diário ?

Fiquei muito emocionado por receber uma mensagem de meu amigo e mestre Darcy e logo providenciei o início dos registros.

Como não possuía um caderno específico para tal, lembrei-me que havia ganho da minha diretora espiritual Maria Aparecida do terreiro do Ubirajara, um pequeno caderninho contendo o registro das datas de batizado, consagrações de sentido e Coroação.

Já havia utilizado esse mesmo caderninho para realizar anotações que recebia nas aulas de cacique das última turmas da Mãe Maria.

Assim comecei logo a relembrar e anotar como tudo havia realizado, bem como, a partir de então, a quantidade de fichas atendíamos por sessão, presença dos médiuns e observações a respeito da gira.

Mais tarde essas anotações foram transcritas para a Internet, tornando possível a construção de nosso site.

Similarmente, o diário de anotações do Sr. Darcy tornou possível a edição do livro da história da Mãe Maria. Nosso mestre Darcy anotava tudo o que ocorria na Mãe Maria em pormenores em seu diário, como as giras se davam, quantidade de passes, quantidade de consultas, visitas honrosas de personalidades políticas ou chefes de outras casas.

Todos esses registros servem primeiramente para o próprio autor, pois eles permitem que nos recordamos de coisas importantes realizadas, de como ultrapassamos desafios e de como vale a pena toda a luta que travamos para seguirmos nessa estrada de caridade e de amor.

Há poucos dias, o diário de meu avô Jacy Oliveira “caiu-me” nas mãos, uma verdadeira relíquia de família, com as devida autorização da minha Vó, hoje compartilho com vocês na íntegra, como meu avô realizou suas anotações pessoais ao longo de sua caminhada mediúnica, o que era importante para ele na época e como via e sentia os trabalhos que participava.

Espero com isso, motivar os atuais e futuros dirigentes de terreiros a tomar nota de todas as coisas que ocorrem suas casas, bem como a motivar todos os médiuns novos a registrarem seus passos, seguindo a trilha de luz deixada por nossos antepassados.

Espero de todo o meu coração que um dia meu filho e talvez meu neto possa ler esse Post, a fim de conhecer como seus antepassados  pensavam, sentiam e agiam nessa caminhada de elevação espiritual denominada Umbanda.

MEU DIÁRIO ESPIRITUAL – JACY OLIVEIRA 13-09-72

Nesta simples pagina não seria possível expressar minha alegria quando ingressei na corrente da “Terreira Mãe Maria Fraternidade de Ubirajara”.

Aqui neste pequeno diário escreverei os momentos mais importantes durante minha vida de médium,  desde o meu primeiro dia como membro da corrente.

1º Batismo 8-10-72
2º Mar 10-12-72
3º Pedreira 30-09-73
4º Cachoeira 22-10-74
5º Rio Água Doce 02-02-76
6º Mata 17-01-99
7º Coroação 22-04-2001


Primeira incorporação do Preto Velho em 18-11-77
Primeira incorporação do Tupinambá em 28-03-78

OS SETE ORIXÁS E SUAS CORES

No dia 13 de setembro de 1972 eu ingressava na corrente espiritual fazendo parte do corpo mediúnico. Fiquei trabalhando como e cambono e como ajudante do terreiro até que se aproximava uma excursão no reino da cachoeira. Eu já tinha me decidido a me batizar no reino, eu já tinha escolhido os meus padrinhos espirituais e materiais, sendo os padrinhos espirituais Ogum Iara e a cabocla Iracema, os padrinhos materiais o Sr. Dário e sua esposa Deli, excursão esta realizada no dia 8 de Outubro de 1972, data em que fiz meu batismo como médium de Umbanda.

No mesmo dia recebi as primeiras vibrações espirituais no desenrolar dos trabalhos no reino. O primeiro reforço a fazer é o de bebida, fiz no dia 19 de Outubro e logo após fiz o segundo reforço, este o de ervas, fiz no dia 29 do mesmo mês de 1972, isto é Outubro.

Passaram mais de um mês e meio, fizemos mais uma excursão ao reino do mar no dia 10 de dezembro de 1972, quando fiz o meu primeiro cruzamento do mar.

Aproximava o fim do ano, vinha o ano de 1973, grandes esperanças de um ano cheio de alegria, harmonia, saúde para todos! Vinha Janeiro do ano novo, fizemos excursão ao reino da Mata no Lami. Juntamente aos trabalhos e rituais do terreiro fiz minha oferenda! No momento da oferenda recebi por alguns momentos o meu guia espiritual, fiquei muito contente pois pensava eu que já ia continuar o trabalho com ele, mas não foi assim. Precisava eu de mais desenvolvimento.

Para tal fizemos alguns meses depois, alguns desenvolvimentos, no qual recebi as vibrações, mas não continuava a trabalhar com o Guia. Em fevereiro no dia 4 fomos ao rio, água doce, para fazer reforço e oferendas, mas não foi possível (fazer o reforço) por causa do mal tempo reinante. Só fizemos as oferendas e as obrigações rituais.

Continuava eu trabalhando como cambono e ajudante no terreiro, participando de trabalhos externos, sem faltar nunca a qualquer trabalho ou sessão.

No mês de junho no dia 13 fiz a consagração da minha guia que até aqui não tinha sido consagrada.

Durante todo este tempo de trabalho eu ia aprendendo muita coisa: o respeito do espiritualismo! Quanto mais eu aprendia mais tinha que aprender. Por este motivo nunca tive pressa de trabalhar o Guia, pois era preciso aprender alguma coisa para ser um bom médium.

Vem o mês de Setembro de 1973, aproximava-se a excursão ao reino da cachoeira, local do meu batismo, aniversário do meu batizado!

Realizamos a excursão no reino da Pedreira no dia 30/9/73, dia de Xangô! Quando na abertura dos trabalhos veio o guia Xangô da Pedra Branca, o Guia do Cacique Chefe da terreira. No mesmo dia eu fiz uma oferenda para Xangô, oferenda designada pelo guia chefe Ubirajara.

Neste mesmo dia o único médium que fez cruzamento de pedreira foi eu. O Nosso cacique foi quem designou. Realizamos os outros trabalhos de rotina de final de ano, ou seja, Mar, Mata e Água doce. Nos trabalho de água doce era para mim fazer o cruzamento mas não fiz por motivo de saúde.

No mesmo ano de 74 fizemos a visita do reino da cachoeira, quando fiz a obrigação, para Xangô da Cachoeira, de levar 7 garrafas de cerveja preta, por uma demanda que havia ganho. No mesmo dia, 22 de Outubro, fiz o cruzamento da cachoeira.

Em Dezembro dia 8 fomos ao reino de Iemanjá no mar fazer nossa obrigação e fazer reforço. Não fizemos como de costume mas sim de outro modo, descarga e reforço.

No mesmo mês de Dezembro houve uma eleição para dirigentes materiais (da casa), sendo eleita Nilza de Presidente e eu de Vice-Presidente. Sendo esse mandato de 2 anos. Tivemos o ano de 75 muito que trabalhar para organizar a diretoria, terminamos o ano de 75 e oferecendo chapa “nas matas” enquanto se preparávamos para o ano de 76, com muita esperança de poder realizar alguma coisa de bom para o nosso terreiro.

No ano de 76 em 2/2 eu fiz o cruzamento de água doce pois no ano inteiro não foi possível por motivo de saúde. Em fevereiro tivemos férias, logo após as férias retomamos os trabalhos e foi decidido que teríamos coroação de cacique e começava as aulas de preparação, sendo os alunos coroados em dezembro de 76.

Realizamos a coroação em Dezembro, foi uma festa muito bonita, cheia de alegria e contentamento.

No ano de 1977 fomos obrigados a mudar nossa terreira para outro terreno, pois o que ocupava não era nosso e foi vendido para outra religião. Durante todo este tempo eu trabalhava com o Povo do Oriente, como vidente e comentava como combono nos trabalho normais. (Nota de Giuliano: Meu avô era assistente do Chefe espiritual caboclo 3 estrelas, o qual mandava meu avô se concentrar num copo d’água e dizer o que estava enxergando. Geralmente ele relatava o órgão do paciente que estava doente).

Após 9 meses de trabalho na obra do terreiro, nós ficamos sem trabalho espirituais. Eu desiludido do trabalho que fazia, já tinha resolvido deixar minha carreira de médium, pois até esta data não recebia mais vibração alguma. Falei com o Cacique Chefe e ele mandou fazer uma oferenda no cemitério, o cavalo chefe foi quem foi comigo para fazer. Assim mesmo isso não provocou-me motivação alguma. Quando fomos ao reino da pedreira no ano de 77, o Cacique chefe mandou que eu levasse uma oferenda para Oxossi, e eu levei, isto foi em Outubro de 77. Em 18/11/77 num desenvolvimento eu recebi o preto-velho Pai Francisco e continuei a trabalhar com ele. Entrava o ano de 1978, veio as férias de fevereiro de 78, após as férias em Março, dia 28 teve desenvolvimento e eu recebi o caboclo Tupinambá. Dai por diante continuei a trabalhar com os guias espirituais.

FIM DO DIÁRIO MANUSCRITO

Abaixo copio informações registradas pela minha mãe no dia da coroação de meu avô em 22/04/2001.

Acima minha mãe (Rosiclea) anotando as orientações do caboclo Tupinanbá no dia da coroação do meu Avô.
Da esquerda para direita: Tio Jairo, Tia Rosane, Mãe, Meu avô Jacy, Vó Mercedes, Roer, primo Jonatam e Robinson. ( 0s 4 filhos do casal Oliveira! )

Orixá de cabeça do Médium: Ogum
Nome do Guia: Caboclo Tupinambá
Linha que pertence: Linha de Oxossi
Cor de Irradiação: Azul
Missão: Completar a missão que o caboclo prometeu a Deus Pai todo-poderoso, ou seja, ajudar os filhos aqui da terra.
Mensagem deixada pelo caboclo tupinambá no dia da coroação: “Que Deus Pai todo-poderoso vai reinar sobre a terra, o seu amor pelos seus filhos, a todos que se entenderem na sua santa lei”.

Abaixo meu avô presente no dia de meu batizado (e também do meu tio Roger) em 24/09/2000:

Deixe um comentário