O uso do Evangelho na Umbanda

Acredito do fundo da alma que todas as casas de Umbanda deveriam ler e incentivar o estudo do Evangelho Segundo o Espiritismo em suas Sessões Públicas de Caridade e utilizar esse maravilhoso livro como principal instrumento de Doutrina dentro de nossas Terreiras!

Sempre dedicamos de 10 a 15 minutos da abertura de nossos trabalhos para a leitura e reflexão de um trecho do Evangelho. O médium “palestrante” só é convidado para realizar esta tarefa, caso já possua o hábito de fazer o “Evangelho no Lar” semanalmente junto a seus familiares em sua própria residência.

Recebi essa intuição de utilizar o uso do Evangelho na abertura de nossos trabalhos quando ainda nos preparávamos para Inauguração de nossa terreira!

Tenho cada vez mais certeza que este maravilhoso livro possui todas as respostas de que necessitamos para conduzir nossas Terreiras e conduzir o desenvolvimento de nossos médiuns!

Ao realizar o estudo sério do Evangelho Segundo o espiritismo, os médiuns se desenvolvem pois penetram profundamente em si mesmos, certamente guiados por suas entidades, a fim de encontrarem respostas para os dilemas do cotidiano e também refletirem sobre o modo com que conduzem sua vida dentro e fora da terreira.

Compartilho com os amigos, um texto belíssimo produzido e lido recentemente por um de nossos médiuns, na abertura de nossos trabalhos:

Sobre o medo da vida futura

O Evangelho Segundo o Espiritismo,  um dos livros mais extensos para se terminar a leitura, pois apesar de ter 325 páginas, os ensinamentos não são totalmente absorvidos em uma única leitura, nem em duas, nem em três. Este livro traz sempre novos ensinamentos à medida que vamos melhorando, amadurecendo, envelhecendo e passando por situações boas e más que a vida apresenta. 

Ele não esgota seus ensinamentos, numa vida de leitura, e nem é igual para cada leitor, pois cada um absorve aquilo que precisa, refuta com vieses aquilo que não lhe interessa até o ponto em que a vida lhe manda entender.

É um livro de engenharia, pois mostra detalhadamente tudo o que se precisa fazer ou pelo menos tentar fazer, para construir e edificar uma estrutura espiritual mais evoluída.

É o melhor livro de exatas que já li, pois a racionalidade do homem permeia todo o seu conteúdo, muito os embora tenhamos a petulância de discordar ou não querer entender nos julgando isentos das falhas que ali nos preveem. À medida que o consumimos, e vamos alinhavando as idéias, que não há um início, um meio e um fim precípuo, percebemos que tudo é arrematado, fechado numa lógica que ficamos sem qualquer argumento para contestar.

Infelizmente, muitos, inclusive eu, já tive o pensamento de que se trata de um livro de ficção, pois cumprir o que está ali é impossível e é deveras não realizável, fora de nosso alcance. Pouco provável que possamos e consigamos fazer tudo o que ali descreve. Por ser tão incompreendido, muitos julgam que é melhor não fazer nada do que ali diz, mas é bom tê-lo por perto em caso de necessidade.

Meus irmãos, esse livro descreve a alma de Jesus, o que ele sente o que ele pensa o que ele fez e faz. Não queiramos em uma única e mecânica leitura, nem mesmo numa só encarnação absorvermos todo o bálsamo que ali contém, quiçá praticarmos tudo e todos os dias.

Os ensinamentos são simples, mas não são fáceis

Enfim, é uma obra que transcende o tempo, o espaço e é lei entre os mundos pelos quais estamos passando e pelos quais passaremos. E não podemos mais uma vez, ter o atrevimento de tentar em uma única existência adquirir todo aquele conhecimento.

Sobre essa deixa, ligo o assunto que proponho a refletirmos, que está no capítulo 2 (Meu eino não é deste mundo), e que fala da vida futura, mais precisamente do medo ou da alienação que temos dela.

Quando me refiro a vida, falo tanto dos encarnados (nós), quanto dos desencarnados, pois todos estão vivendo, embora numa realidade paralela e em situações diferentes, todos passarão para o outro lado e enfrentarão sua vida futura, com todos os merecimentos e expiações dentro do seu adiantamento espiritual e obras deixadas como herança.

Jesus diz claramente que a vida futura deve ser a principal preocupação dos homens que vivem na terra. Sem a vida futura, a maioria dos seus ensinamentos morais não teria nenhuma razão de ser.

Ela deve ser meta de todos os homens.

Somente a continuação da vida pode explicar a grandes diferenças que existem entre os homens aqui na terra e fazer com que a justiça de deus se cumpra ao longo do tempo.

Se a morte fosse a destruição completa do homem, (que é nosso grande medo material e espiritual), seria uma grande vantagem para os maus, visto que esses se libertariam ao mesmo tempo do seu corpo, de sua alma e de seus vícios. Somente aquele que adornou sua alma com os verdadeiros enfeites poderá esperar tranquilamente, a hora da sua partida para o outro mundo.

Este livro ensina também, que os espíritos continuam mantendo, no plano espiritual, as mesmas relações que tinham quando encarnado, sendo assim, a morte não se constitui numa interrupção para a vida, ela é apenas uma contínua transformação.

Continuaremos vivendo no mundo espiritual, de modo muito semelhante ao que vivemos na Terra.

Para a doutrina espírita, a vida futura não é mais uma incerteza, é, antes, uma realidade, pois são os próprios espíritos que vêm descrevê-la em todos os seus detalhes, não deixando margem a nenhuma dúvida.

O maior mal que possa ocorrer a um homem é ir para o outro mundo com a alma carregada de culpas.

O espiritismo nos mostra, através de inúmeros exemplos, o quanto é aflitivo para os maus a passagem de uma vida para outra, ou seja, a entrada na vida futura, pois não importa para qual lado ele estará indo, sofrerá as atribulações morais ou materiais, para que no sofrimento este perceba seus erros e venha reparar incontestes seus males causados. Assim sendo, a verdadeira justiça de Deus somente irá se cumprir na vida futura, onde através de sucessivas encarnações será possível resgatar nossos erros.

Aquele que acredita na vida futura atribui ao presente somente uma importância relativa, e facilmente se consola com os insucessos que sofre, ao pensar no destino que o aguarda. 

Esta obra também ilustra a luta do espiritismo contra a visão estreita e mesquinha, que faz com que o homem se concentre somente na vida presente, aumentando seu egoísmo e orgulho desmedido.

Nossa alma já existia antes de reencarnarmos, e que já cometemos muitos erros e acertos em outras vidas. É isso que explica naturalmente o que parece inexplicável, (o porquê das diferenças existentes entre os homens na terra).

Disso meus irmãos, peço que pensem sobre a sua vida futura. Se acreditarem que ela exista, esta certeza acarretará enormes consequencias na moralização de suas vidas, uma vez que mudarão completamente o ponto de vista sobre a maneira como encararão a vida terrena. Para todo aquele que acredita, as amarguras da vida terrena são recebidas com mais paciência e terão um lenitivo para as fases difíceis que devem ser seguidas por futuros acontecimentos felizes.

Quando o homem não tem certeza ou não quer acreditar na vida futura, este concentra todo o seu pensamento na vida terrena, dedicando-se inteiramente ao momento presente. Uma decepção sofrida, uma esperança frustrada, uma ambição não satisfeita, uma injustiça de que é vítima, a vaidade ou o orgulho ferido, fazem de sua vida uma eterna angústia. Vivendo desse modo, o homem entrega-se voluntariamente a uma verdadeira tortura que o acompanha em todos os instantes, além do medo de sua finitude.

Pensemos hoje, sobre esses ensinamentos, fique com essa provocação, melhore nem que seja um pouco em alguma falha que você tem.

E como saber qual falha melhorar, o próprio evangelho diz que a ferramenta correta se chama consciência. Ela foi criada para te incomodar, para atormentar seu pensamento. Você pode ouvi-la ou não.

Quem decide, é seu livre arbítrio.

“tenha fé para se motivar,

esperança para suportar,

faça caridade para se salvar.”

21 de maio 2023

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