Desde a época que comecei estudar Administração de empresas na faculdade, achava que os templos de maneira geral e mais especificamente nossos terreiros, deveriam possuir declarados de forma muito clara e objetiva sua Missão, Visão e Valores.
Lembro-me que na minha turma de formação de “Caciques” em 2010, na terreira de Ubirajara, quando eleito “Xerife da turma”, a primeira coisa que fiz, foi logo definir apressadamente a “Missão da turma”, pois assim, “todos” entenderiam logo qual era o objetivo de nossa turma a ser alcançado naquele ano.
Pois bem, 10 anos passaram-se e sem ter planejado, ao menos de forma consciente no mundo material, estamos aí com um terreiro de Umbanda aberto e sem uma missão declarada.
O fato que aprendi nesse último ano, é que diferentemente das coisas materiais, na Umbanda, os acontecimentos do templo são regidos e orquestrados pelo plano astral e raramente compreendemos imediatamente o porquê de muitas coisas.
Há um ano que tento redigir a declaração de missão dessa casa e somente agora pude melhor compreender do porquê dessa dificuldade e do alto grau de passividade que nos cerca.
Após iniciar um resgate ao culto originalmente praticado por Zélio Fernandino de Moraes, pude começar a compreender porque nossa casa tem tanta influência do “espiritismo kardecista”. Explico-me melhor: Desde que tomei a iniciativa de abrir essa casa, recebi a intuição de abrir a casa para fazer a caridade espiritual através da Umbanda aos domingos de manhã, onde seria pregado com afinco o Evangelho do Cristo, principalmente entre os médiuns!
O fato é que na Umbanda que “me criei”, não é incentivado a leitura dos livros de Kardec, uma vez que, nos foi ensinado que “Espiritismo é uma coisa e Umbanda é outra!” E ainda, “Umbanda não tem codificação, por isso, não temos um livro que possa servir de pedra angular“.
Pois bem, mesmo “contrariando” a “tradição recebida”, por intuição do astral superior, abrimos nossa casa com uma proposta “inovadora”, onde leríamos o Evangelho Segundo o Espiritismo no início de todas as sessões de Umbanda. Incentivando com afinco a prática do Evangelho no Lar entre os médiuns e consulentes!
Nossas ações foram tomadas tão somente pelo sentimento de divulgar a doutrina espírita cristã agregando o Evangelho à prática da caridade através do trabalho da Umbanda!
Aos poucos, a cortina vai sendo aberta e estamos descobrindo diversas “coincidências” e “similaridades” do nosso método “inovador” de trabalho àquele que Zélio Fernandino de Moraes implantou em sua Tenda Nossa Senhora da Piedade no Rio de Janeiro desde 1908.
Através do site Umbanda.com.br e do rico material publicado na obra “Origens da Umbanda I”, somos noticiados que o Caboclo das Sete Encruzilhadas foi claro e tácito ao instituir o Movimento Religioso Umbandista no plano físico. Ele disse claramente: (…) “Vim para criar uma nova religião, baseada no Evangelho de Jesus e que terá como seu maior mentor o Cristo”.
Mais adiante na mesma obra, descobrimos que Zélio não só exigia que seus médiuns estudasse o Pentatêuco de Kardec como também fazia testes de conhecimento a respeito da doutrina espírita. Estando tudo isso, devidamente documentado no regimento interno da Tenda Nsa. da Piedade conforme relatado na mesma obra página 187:
"CAPITULO V DAS DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 17 - Por princípio doutrinário e em se tratando de reuniões de caridade puramente cristã, as pessoas que vierem à Tenda, devem se abster de pensamentos e propósitos que contrariem as virtudes exemplificadas por Jesus. Assim sendo, as consultas não poderão versar sobre assuntos que fujam aos princípios capitulados nas Dez Mandamentos, constantes do Evangelho. § 1° - São deveres de todos os freqüentadores: Procurar conhecer o Espiritismo Cristão pela leitura de obras doutrinárias tais como: O Evangelho, segundo o Espiritismo, O Livro dos Espíritos; O Livro dos Médiuns; O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda (de Leal de Souza)."
Diante de tantas descobertas animadoras, radiante e agora claro como a Luz do Sol, ficou fácil para mim, tentar colocar em palavras àquilo que já estava no coração desde o início.
Missão
“Perpetuar o trabalho de caridade espiritual praticando a Umbanda com amor, fé e simplicidade. Buscando com afinco o aprimoramento moral do médium e da sociedade através do estudo, divulgação e vivência do Evangelho do Cristo.“